Mudanças Na Indústria Da Música
A Feira da Música Brasil, que aconteceu no Recife e terminou no dia 11 de fevereiro, foi um sucesso. O evento reuniu milhares de pessoas, muitas empresas ligadas à indústria da música, homenageou os 100 anos do Frevo e trouxe discussões no campo do mercado fonográfico.
Entre as conferências apresentadas, destacou-se a do empresário Peter Jenner que trabalha no mercado musical há 40 anos. Peter, que já trabalhou com bandas como The Clash e Pink Floyd, foi enfático ao afirmar que a indústria fonográfica precisa se adaptar às mudanças do mercado e às novas tecnologias. Segundo o empresário, o mercado pode entrar em colapso se não rever seus conceitos o mais rápido possível.
No que diz respeito à musica em formato digital, Peter chegou a sugerir que o ideal seria que uma pessoa pudesse pagar um valor mensal para ter acesso à música. Ele ainda declarou que, nos dias atuais, o papel das gravadoras para a distribuição de música é desnecessário.
Outro conferencista que participou do evento foi o DJ Spooky, que falou sobre propriedade intelectual no meio musical e de como isso é difícil dentro de seu estilo. Criticou as leis de copyright norte-americanas e asseverou que “A cultura do DJ tem a ver com intercâmbios culturais e colagens”. Portanto, o uso de ‘samplers’ não poderia ser considerado crime, uma vez que é essa a essência da música eletrônica.
A indústria fonográfica mundial se mostra bastante resistente a essas idéias. A proposta apresentada por Steve Jobs, da Apple, recentemente, de abrir o mercado com o fim do DRM (gestão de direitos digitais), aponta exatamente a tendência de que Peter Jenner falava na conferência no Recife. A proposta vem sendo rebatida por diversos grandes nomes do mercado.
Mas apenas a recusa de novas idéias e propostas não trará respostas para as exigências do mercado e, principalmente, do público. Se não houver mudança de paradigmas para o setor, o colapso aventado por Peter Jenner pode estar mais próximo do que se imagina.


