DABKE – SOULEYMAN É FIGURA INUSITADA NA MÚSICA ELETRÔNICA
DABKE – SOULEYMAN É FIGURA INUSITADA NA MÚSICA ELETRÔNICA – O mundo da música eletrônica está repleto de pessoas inusitadas, é o caso de Omar Souleyman, que depois de ganhar fama na Síria cantando dabke (gênero musical de ritmo hipnótico e timbres estridentes em festas familiares) ganhou as graças do mercado industrial da música.

Hoje, já é considerado um dos mais novos talentos da cena eletrônica. Mas o que mais chama a atenção é o seu estilo, diferente dos jovens DJs com look moderno, Souleyman é um refugiado de 47 da guerra civil síria, que usa um microfone colado no bigode, óculos escuros, lenço árabe vermelho na cabeça, o keffieh, e uma túnica branca que vai até os pés.
Ele foi obrigado pelo ditador Bashar Assad e pela guerrilha da Síria a deixar sua vila natal, Ras Al-Ayn, com a família, e fugir para a Turquia. A partir de então, começou a se apresentar em diferentes lugares do mundo ocidental, quando ganhou fama, entre eles realizou uma performance no festival britânico de Glastonbury.
Além disso, já gravou com a cantora Björk e com a banda Gorillaz. Recentemente, lançou seu primeiro álbum pelo selo Domino Records para o público ocidental, Wenu Wenu (Onde está ela?). O trabalho teve como produtor Four Tet – ou Kieran Hebden, conhecido como o herói do chamado post-rock.
O músico contou em entrevista por e-mail publicada no site Estado: “Fico feliz com o fato de as pessoas no Ocidente gostarem da minha música e de poder oferecer a elas uma grande celebração. Nunca imaginei que faria tanto sucesso”. Já Morgan Lebus, que dirige a Domino Records, conta que “Pela primeira vez em minha carreira, tive de tomar cuidado ao promover um artista para não contextualizá-lo usando assuntos políticos e sectários de sua terra”.
Porém, mesmo assim, em alguns países, ele já foi barrado. Um exemplo é a Suécia, onde Souleyman foi convidado para tocar em um dos mais importantes festivais de música, o Mocad, em 2013, mas teve o seu visto negado. Depois de um mês, entretanto, conseguiu fazer a sua apresentação no país.
Com suas viagens pela Síria, o cantor foi absorvendo influências diversas, tanto de ritmos curdos quanto iraquianos, mas ele conta que sempre teve diferentes estilos dentro do seu repertório. Isso ocorreu ainda mais quando se apresentava em casamentos e precisava agradar a todos. Atualmente, Souleyman usa para compor o seu som as batidas eletrônicas e um teclado Korg com um timbre indecifrável. As músicas são na sua língua e as letras falam sobre amor e outros prazeres da vida.



