Entrevista Eli Iwasa

Primeiramente muito obrigado por nos ceder uma entrevista. E gostaríamos de parabenizá-la por toda a correria em manter a cultura eletrônica brasileira sempre chegando ao público.
1. Bom Eli, começando com um pouco de história. Como surgiu a idéia de montar um projeto? O primeiro foi o Technova ou você já havia desenvolvido outros anteriormente?
R: Entrei no Technova com a saída do Lov.e Club de seu idealizador Oscar Bueno, que estava abrindo o então clube Stereo, que veio a ser o D-Edge mais tarde. Eu organiza junto com o DJ Alex S as festas da Groove Nation – que trouxeram Dave The Drummer, Chris Liberator e mais tantos nomes do acid techno inglês. Eu era freqüentadora assídua do Lov.e e foi uma grande realização começar a trabalhar lá. Entrei em 2000, e o resto é história =) Acho q poucos projetos foram tão marcantes quanto o Technova. Todo mundo que importava na época, na cena mundial, passou por aquela cabine, de Laurent Garnier a Richie Hawtin.
2. Como é organizar um projeto? Sei que tem muita gente fora da labuta que acredita ser apenas rosas. Vale a pena perguntar pra quem conhece muito bem do assunto.A trabalheira é pesada né?
R: Ah sim… na verdade ninguém vê o trabalho que acontece diariamente, antes da festa acontecer. Eu sempre cumpri com um expediente puxado de trabalho, todos os dias, bookando os artistas, organizando a logística, fazendo flyer, supervisionando promoção… ver a festa acontecer a noite é a parte divertida, é colher frutos de todo um trabalho que aconteceu previamente.
3. Eu tive a oportunidade de freqüentar tanto suas festas no Lov.E quanto as do Kraft. Ambas possuem um público fantástico e energia enorme. Rola muita tensão quando chega a hora de entrar? Como é isso pra ti?
R: Posso falar uma coisa? Eu trabalho com noite há quase 10 anos e, toda noite, antes do clube abrir e antes de começar meu set, eu sinto o mesmo frio na barriga que sentia no começo. Eu realmente me preocupo que a noite seja boa, que eu faça um bom set, quero que o público sinta o melhor de mim. Acho que no dia em que eu não me preocupar mais, é hora de parar.
4. Bom, uma pergunta que sempre tenho vontade de fazer: o que te fez começar a correr na música eletrônica? Qual foi o estalo e qual ainda é?
R: Sempre amei música desde criança. Não lembro de nenhum momento em que ela não estivesse presente. E sempre ouvi música com ouvidos e interesse de colecionadora, indo atrás de informação, pesquisando, comprando muito disco e muito CD, desde rock, pop, jazz, a música eletrônica. Eu era daquelas adolescentes “pseudo rebeldes” ahahahhahah, ouvia muito rock anos 80, industrial, punk rock, até que quis conhecer essa casa que todo mundo falava, que era divertido, que tinha um monte de gente maluca, que tinha umas gaiolas: era o Massivo. E toda semana, batia cartão no Massivo. E depois na Ursa Maior, depois no Latino, no Hell´s Club, no Base, nas raves. Quando vi, meu interesse por música eletrônica foi ganhando força, até se tornar fundamental na minha vida. Fui fazer curso de DJ na Fieldzz, comprei minhas pickups, comprei um tantão de discos… quando o assunto é música, sempre foi assim comigo, eu queria ir a fundo e vivenciar tudo o que aquilo podia me proporcionar.
5. Quais são as suas influências Eli? O que fazia você arrastar os móveis da sala a tempos atrás? E o que faz hoje?
R: Quando eu era pequena, minha babá levava uns 7 polegadas para minha casa e ficava dançando sozinha na sala ao som de Michael Jackson e Steve Wonder. Ouvia muito Ramones, Patti Smith, Blondie, The Cure, Depeche Mode, e mais uma lista interminável de artistas. Como DJ, minha maior influência foi o Mau Mau. Como residente do Technova. Ouvi alguns dos sets mais impressionantes nas sextas feiras do Lov.e, com o Mau Mau sacando uma música melhor que a outra daquele case dele. Ele tem a capacidade de me emocionar como pouquíssimos DJs. Também respeito muito o Laurent Garnier, que sabe misturar estilos como poucos e criar atmosferas diferentes na pista como ninguém.
6. Pra terminar, que recado você deixaria pra quem tem aquele sonho de mostrar sua arte por aí e está começando?
R: Muita determinação! Acredite em seu trabalho e no que você ama, e siga em frente sempre.
8. Algum comentário final?
R: Espero todos vocês nas festas da Kaballah!!! =)
Myspace Eli: http://www.myspace.com/eliiwasa
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