Entrevista DJ e Mc Rah
Nome: Rafael Moura
Aka: EX DJ Rafael Master Fresh, Agora DJ e Mc Rah
Estilo: Drum’n’Bass
Idade: 24 anos
O DJ e Mc Rah é um dos editores aqui do site, sempre trás para todos os leitores um conteúdo muito legal e atrativo. Além disso, é um amante e defensor do Drum’n’Bass e suas vertentes, também participa do nosso Podcast com o programa Substance que irá pro ar logo mais. Recentemente formado na faculdade, defendeu em seu TCC o uso de Samples em músicas, preparamos uma pergunta para ele nos contar o que acha sobre o assunto. Acompanhe a entrevista!
01. E ai Master tudo certo? Como anda as coisas?
R: Tudo na paz. Feliz por estar aqui de volta na família.
02. Cara explica para nós, o que o Drum’n’Bass significa pra você, e porque a sua escolha em curtir e tocá-lo?
R: Vish. Treta hein.
Drum n Bass é força. Limite, teste. Prazer, curtição e Crítica. Eu gosto de todas essas características. Eu toco ele porque acho que o som tem tudo a ver comigo, acho que me expressa bem, diz quem sou eu.
03. Andei sabendo que você anda querendo começar a produzir e também ser Mc, pode nos contar mais sobre o assunto?
R: Cara, a produção permite que alguém se expresse ainda mais claramente. A pessoa tem uma boa idéia, mas ela não sabe transformar aquela idéia em arte. Porque não possui técnica pra isso. Mais uma idéia boa que dentro de alguns minutos vai sumir no esquecimento. Eu li uma frase de um grafiteiro famoso um dia ele dizia que todo mundo está disposto a sofrer por sua arte, mas poucos estão preparados para passá-la. Acho que é algo por ai. Enfim trabalhando a gente chega lá.
04. Para quem não sabe o Jungle/Drum lá fora quando surgiu era e ainda é como o Rap Nacional, uma música discriminada e do gueto, que tomou força e hoje em dia é um pouco mais divulgada, em sua opinião isso acontece com o Drum por quê?
R: Então. Na indústria da música eles vendem tudo que acreditam que vai vender bem. Basicamente acredito que os estilos mais ouvidos são os que a mídia paga resolve vender. Além disso, há a velha questão política. Porque fazer a população pensar e criticar se é mais fácil vender para pessoas alienadas? O Rap, o Jungle, o Punk, o próprio Reggae e muitos outros são sons essencialmente críticos, por isso marginalizados. Se não fosse a cultura independente da indústria da música já estaríamos mortos. A luta é nossa, de cada dia.
05. O Sample é muito utilizado em músicas indiferente de seu estilo, muitos criticam essa prática e levam ao extremo falando que certo artista não tem criatividade para fazer uma coisa nova e então acabam pegando um trecho desse e de outro som e usando em algo novo, o que você acha dessa critica??
R: Bom. A indústria da música (mais uma vez ela) prefere ter o poder da criação em suas mãos. Sample diminui o consumo. Pode ser reaproveitado. E ainda mais, dá acesso a classes menos favorecidas a fazerem música. O sampler junto com mais alguns aparelhos foram responsáveis por muitas formas de expressão dos mais pobres. Isso incomoda. Mais uma vez, porque dar acesso a cultura se podemos ter o domínio dela e implantarmos o que quisermos na cabeça das pessoas. As grandes gravadoras tem samples de tudo o que gravam em seus estúdios. Eu acredito que o sample é muito parecido com a técnica da colagem das artes plásticas. A diferença talvez esteja na cabeça de quem fala se algo é legal ou ilegal.
06. Agora com as mudanças aqui no Eletro, teremos a parte de Podcast que você também vai participar o que podemos esperar da sua programação?
R: Uhm. DROP! O recheio está bem saboroso. A cada podcast eu pretendo mostrar um clima. Não estou pensando em faixas, e artistas. Estou pensando em climas. Quero fazer um trabalho onde o ouvinte independentemente da cultura que tem do Drum n Bass, ouça, sinta e curta o estilo. Vale faixa velha, faixa nova, artista desconhecido, iniciante. Vale tudo. Alias… Por favor, mandem suas faixas pra mim se quiserem. Adoraria tocar algo genuíno.
07. Você desde que começou lá atrás a curtir Drum, você se aprofundou bastante no estilo e aprendeu bastante, lembro quando você comentou comigo nesse passado o que estava pegando e o que você podia ouvir de bom, que evolução teve de lá pra cá pra você?
R: Os aparelhos eletrônicos se aperfeiçoaram. As pessoas ouviram mais coisas. Fora do top 10 tem de tudo rolando. O drum n bass está mais diverso do que nunca. Dentro dos grandes clubes a coisa sofreu mais uma das mil mudanças do que está na moda ou não. Um tempo foi o jungle,depois o hardstep, depois o jump, depois o techstep, depois o liquid funk e por aí vai. Mas nenhum estilo morre só se transforma e sai de evidencia. Normalmente é nessa hora que o estilo evolui mais intensamente. Fora dos holofotes.
08. O cenário underground parece te atrair muito, o que pega nessa área?
R: Pega tudo. No underground os artistas falam de tudo. Música instrumental também fala viu!! Haha. As faixas no underground causam as sensações mais diversas. Não há a cobrança do dono da gravadora em cima do cara. Ele faz o que quiser. Por isso a mídia independente precisa viver e crescer cada vez mais. Opinião e Liberdade de Expressão.
09. Recentemente você abandonou seu antigo nome Rafael Master Fresh e adotou o nome Rah. Qual o motivo?
R: Eu gostava do nome antigo. Mas não considerava ele como meu. Além do que era em inglês. Resolvi mudar. Rah veio naturalmente. Meu nome protegido pela força do Deus Rah.
10. Vamos encerrando, mais antes deixe um top 10 ai pra gente poder saber o que você anda ouvindo de melhor:
01. Calibre – Overflow LP (Signature)
02. D Bridge – The Gemini Principle LP (Exit)
03. Goldie – Sine Tempus LP (Metalheadz)
04. Random Movement – (Qualquer coisa dele)
05. Enduser – Bollywood Breaks EP (Ad Noiseam)
06. Global Connections LP – Os 5 Volumes (Covert Operations)
07. Fanu – Semena Worck (Lightless)
08. Digital – Rockers (Vibez)
09. Gremlinz & Ink – Black Star (Def. Ltd)
10. Clipz e Die – Work it Out (Audio Zoo)
11. Algum recado?
R: Um abraço a todos. Espero que o trabalho no site seja positivo. Que as pessoas gostem e que acresça alguma coisa na cultura do pessoal. Obrigado pela abertura. Abraço Deko e Snake.
O site Eletro Música agradece a sua participação nessa entrevista e também por trazer as novidades que andam acontecendo no meio da e-music aqui para nós. Gostaria de deixar marcado aqui a minha admiração pela sua pessoa e também pelo conhecimento que você tem na área e desejar que você sempre continue assim um cara humilde, batalhador e sempre buscando seus ideais. Valeu!




