Entrevista The Witchdoktors
aka Fab e Matt
Assim como o nome sugere, The Witchdoktors é o projeto formado pelo duo de Djs Fab e Matt, que enfeitiça o público da cena underground paulistana com um repertório musical esplêndido e transições que honram a bagagem da dupla.
Em pouco tempo de existência, The Witchdoktors não só já se apresentou nos principais clubes de São Paulo como firmaram residência: no Lov.e com o projeto Supernova, Clash e Vegas, no qual são os criadores do projeto mensal Klax que fará um ano em março de 2008. Os clubes D-edge e SPKZ também fazem parte do circuito dos artistas.
Confira a entrevista exclusiva ao site Eletro Eletromusica e passe a conhecer mais sobre a dupla.
01 – The Witchdoktors: O nome remonta a cura e a culturas consideradas pagãs. Qual o pensamento da dupla ao criarem o nome?
R: Embora o nome remeta a tais culturas, a escolha surgiu quase que por acaso. Os principais motivos foram a sonoridade e a exclusividade. Hoje é muito raro um nome que não tenha homônimos ao redor do mundo. Tivemos a idéia ouvindo uma track do Armand Van Helden de mesmo nome. Achamos que soava bem e acabamos optando por ele.
02 – Qual apresentação da dupla que foi mais marcante até agora? E qual a casa que gostam de tocar no Brasil?
R: Foram várias as marcantes, mas acho que podemos citar duas. A primeira na Love Parade em Bogotá na Colômbia, onde dividimos os decks com grandes nomes locais, além de grandes brasileiros e o alemão número 13 do mundo, o Markus Schulz. Foi uma experiência surreal tocar em uma festa tão grande e de tamanha importância para a cena eletrônica mundial. A outra foi uma das apresentações mais completas que já tivemos. Rolou no Clash, em São Paulo. Na mesma noite tocaram Velkro e o polonês Robot Needs Oil aka Greg Kobe. Tivemos o prazer de abrir e fechar a noite podendo fazer dois sets totalmente diferentes e mantendo a pista cheia até o momento do som ser desligado.
É difícil falar somente de um club em que gostamos de tocar. Em São Paulo, nossos preferidos são Clash e SPKZ. A localização, a estrutura, tudo ajuda. Fora do estado, gostamos da Girus, uma casa gigante próximo de Belo Horizonte/MG e da Delux.e em Campinas.
03 – Qual o pensamento da dupla sobre a música eletrônica? Vocês enxergam limites dentro dela?
R: Para nós, a música eletrônica foi aos poucos se tornando uma filosofia de vida e hoje é impossível imaginar o que seria de nós sem isso, ou termos que abrir mão à partir de agora. Nos entregamos à ela durante 24h por dia e a única certeza que temos é que jamais conseguiremos tirá-la dos nossos caminhos.
O mais intrigante é a amplitude e a abrangência da música eletrônica no mundo. Sendo assim, fica difícil ver limites em algo que cresce tanto e se recicla com tanta freqüência globalmente falando.
04 – E como vocês acham que os Brasileiros enxergam a música eletrônica? Mais precisamente também o som de vocês. O que o público pode esperar de suas apresentações?
R: Hoje a ME é bem difundida, diferente de 10 anos atrás quando, comparado com hoje, se ouvia muito menos. Era um nicho mais segmentado e restrito. Há alguns anos virou moda, o que de certa forma, mesmo tendo seu lado ruim, agregou muito. Ainda assim, poucas pessoas se aprofundam em descobrir novos estilos e produtores. A grande maioria está na pista pra se divertir e não para prestar atenção em nome de música ou em que ano ela foi produzida e é justamente pra essas pessoas que nós nos preocupamos em fazer uma boa apresentação. Sempre priorizamos o que a pista quer ouvir e é por isso que temos material contendo uma grande diversidade musical, permitindo com que toquemos em qualquer horário, início, meio ou fim da festa.
05 – Vocês diriam que existe uma mistura explosiva para o The Witchdoktors, talvez pelas influências de cada um antes do nascimento do projeto? Comentem um pouco sobre isso.
R: Acreditamos que isso influi bastante. Embora o rock seja nosso estilo preferido, cada um tem uma peculiaridade. Eu prefiro as bandas mais antigas e o Matt já gosta mais de Nu Metal. Também ouço muitos outros estilos musicais que vão de música clássica até Drum n´ Bass. Tivemos banda na adolescência, e até trompete em Banda Marcial eu já toquei.
06 – Vocês vêem diferenças entre o pensamento sobre música eletrônica européia e brazuca? O que acham disso?
R: Atualmente, graças à fusão musical que vem acontecendo, essa diferença está diminuindo no Brasil, mas há alguns anos, vários estilos agonizaram em virtude da quantidade de “donos” que a música tinha. Tudo era muito segmentado e raramente se via uma festa com tantas vertentes mescladas como se vê hoje. Antes, para cada vertente, havia um estilo, uma tribo, um comportamento, um preconceito. Hoje, a música eletrônica é levada tão à sério como qualquer outro de estilo de som, chegando até ser um vício a muitos fiéis e amantes da e-music. Musicalmente falando, a Europa sempre esteve à frente de seu tempo pela mente aberta de seus habitantes, e no Brasil, percebemos algumas mudanças de atitude, aceitação, julgamento, há pouco tempo. Percebe-se que os rótulos estão deixando de existir e que, enquanto o Brasil não for um país pioneiro, é ainda, seguidor de tendências.
07 – Li uma vez que vocês disseram que o Underground agoniza, mas nunca morre. Também disseram que as festas mainstream, que realmente são a maioria das festas, possuem estruturas maiores e que vocês vêem o caminho que a cena anda tendo como algo natural e benéfico. Pensando sobre isso, porque vocês acreditam que mesmo o underground sendo uma cena que sempre funciona à preço de custo, nunca encontra seu fim?
R: Principalmente por causa do seu público fiel. Os amantes do underground dificilmente o abandonam ou trocam por causa de um gringo mundialmente conhecido que venha tocar em um club do mainstream ou qualquer coisa do tipo. O que acontece é que a vida útil dos clubs que carregam a bandeira do underground pode ser menor. Podemos citar por exemplo o Susi in Transe. Sempre foi um club underground em todos os sentidos, preço, localização, público, som, porém, foi obrigado a fechar as portas por falta de verba, ou seja, mesmo com o público fiel, o estilo underground não morre, mas os clubs estão sempre correndo risco.
08 – Uma pergunta polêmica que costuma ser evitada. O que vocês acham sobre a avalanche das drogas nas festas eletrônicas?
R: Realmente é uma questão bem polêmica e de certa forma, vemos muita hipocrisia quando se aborda esse assunto. É óbvio que essa avalanche não nos agrada, porém, é uma realidade e combater com repressão da forma que vemos as autoridades combatendo certamente não é o melhor caminho. Certa vez participei do programa Debate MTV, onde o assunto principal era a distribuição de panfletos nas festas e clubs informando ao usuário algumas formas de minimizar os riscos na utilização dos entorpecentes, e o que se viu foi um bando de autoritários querendo tapar o sol com a peneira, pessoas que não pensam na possibilidade de ter um filho ou um amigo na situação e simplesmente dando um belo foda-se para o que acontece na cena eletrônica. É muito mais fácil prender um dono de festa, que tem uma empresa idônea, trabalha duro e dá emprego do que educar e cortar o mal pela raíz.
09 – Falem um pouco sobre um grande cara que sempre rolou na cena.
R: Os nomes mais conhecidos são vários, mas podemos citar Murphy, Magal e Camilo Rocha. São artistas que se atualizam constantemente, claro, favorecidos pelas turnês no exterior, mas que se mostram versáteis e muito competentes.
10 – Amor à música e vontade de sucesso.
R: Para nós, o amor e sucesso, são dois aspectos que caminham juntos, porém, achamos que sucesso é conseqüência de um trabalho feito por amor, e no nosso caso, com uma única ambição: divertir a todos! E isso também nos inclui. Como citamos no começo da entrevista, a música para nós é mais do que algumas batidas somadas, mas um estilo de vida, uma filosofia.
11 – Vocês têm alguma novidade nos próximos meses? Alguma outra produção própria ou algo do gênero? Para os fãs ficarem antenados tem data para o lançamento?
R: Temos algumas produções em andamento e até o meio do ano, pretendemos lançar um CD com sets, produções, fotos e todas as infos da dupla.
12 – Gostariam de deixar algum recado para os fãs?
R: Primeiramente gostaríamos de agradecer a oportunidade de falar num site tão importante para a música eletrônica e agradecer principalmente ao carinho e prestígio das pessoas para com o The Witchdoktors. Valeu!
Em nome do site: Nós que gostaríamos de agradecer ao Duo por fornecer a entrevista e pela força que dão na disseminação da música eletrônica para todos! Valeu!

